A principal estratégia para se estabelecer mudanças políticas é conquistar, um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social, artistas, sindicatos etc.). Confrontos políticos ocorrem na esfera cultural mais que nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis, assim, antes de se atrever a atacar o poder do Estado, qualquer partido, para atingir o poder, precisa adaptar suas táticas a este preceito, sem receio de parecer que não é revolucionário. A tese marxista de que uma crise catastrófica permitiria uma bem sucedida intervenção de uma vanguarda revolucionária organizada no Estado, ou seja, uma intervenção de um determinado partido no Estado, há tempo foi abandonada. Hoje está mais do que provado que a mais severa recessão do capitalismo não é capaz de levar um povo à revolução, da mesma forma que não a induziria nenhuma crise econômica, a menos que, antes, tivesse havido uma preparação ideológica.
Lênin sustentava que a revolução deveria começar pela tomada do Estado para, a partir daí, transformar a sociedade. Estes termos encontram-se, hoje, invertidos: A revolução deve começar pela transformação da sociedade, privando a classe dominante da direção para, só então, iniciar-se um ataque ao poder do Estado. De fato, sem essa prévia revolução do espírito, toda e qualquer vitória será efêmera.
A sociedade é “um complexo sistema de relações ideais e culturais” – assim a definiu Gramsci; qualquer caminhada ao poder, considerado este preceito, passa necessariamente por intelectuais, classe média e estudantes. Considerado o preceito, batalhas políticas devem ser sempre travadas no plano dos ideais (religiosos, filosóficos, científicos, artísticos, etc.). Cultura, educação e o efeito multiplicador dos meios de comunicação social são as armas a serem empunhadas.
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