O comando da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) estava tão certo da vitória no primeiro turno que não considerou e, portanto, não antecipou uma estratégia para solução dos problemas, que certamente teriam no caso de um, então, possível segundo turno. Fato consumado, em Minas Gerais, o vice-presidente da República, José Alencar, assumiu formalmente o comando da campanha e, imediatamente, organizou no escritório de sua empresa têxtil _ Coteminas _ Belo Horizonte, neste 5 de outubro próximo passado, uma reunião com a cúpula do PMDB, PT e PCdoB no Estado. No dia 6 de outubro aconteceu uma reunião com o PSB, PR e o PDT, partidos que apoiaram Dilma no primeiro turno em nível nacional, mas que regionalmente estavam alinhados com o PSDB _ uma sinuca de bico que o comando não esperava. À reunião organizada por José Alencar apresentaram-se os candidatos derrotados do PMDB ao governo de Minas, senador Hélio Costa, e do PT ao senado, o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, que não quiseram falar com os jornalistas no final do encontro. Já José Alencar procurou demonstrar ânimo com o resultado eleitoral do último domingo: “Em 2002 e em 2006 as circunstâncias não eram tão exuberantes a nosso favor”, disse o vice-presidente, “o quadro que temos é de vitória”. Será?
O PT não teve escrúpulos em fazer alianças com antigos inimigos políticos (de fato não foi com antigos adversários que as fizeram). Com o segundo turno, esta decisão tornou-se um problemão a ser enfrentado. Bom para o povo brasileiro que ganhou uma oportunidade de, nos próximos dias, refletir sobre o que realmente quer como futuro político de seu país. Na verdade, estaria em jogo neste pleito, como quer fazer crer a situação, a continuidade de um projeto de crescimento econômico com distribuição de dividendos sociais?
Luiz Inácio Lula da Silva chega este ano ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da tarefa iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique de promover o desenvolvimento econômico, quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos, não há dúvida, o Brasil evoluiu e é hoje bem melhor do que já foi. Todavia, mesmo considerando uma aliança de meios a fins, Lula e seu entorno primaram pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Se valem alianças espúrias, corrupção de agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e solapamento de instituições sobre as quais repousa a democracia para este fim, o exemplo permite a qualquer cidadão concluir: “Melhor ignorar as instituições e atropelar as leis”.
Alea Jacta Est!
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