Em Além do Bem e do Mal (Nietzsche, 1882) encontra-se um texto no qual, assim como em Marx, se pode inferir que tudo está impregnado de seu contrário. Diz Nietzsche: “Exibem-se justapostos, em pontos limiares da história, quando não, emaranhados um no outro, uma espécie de tempo tropical de rivalidade e desenvolvimento, magnífico, multiforme, crescendo e lutando como uma floresta selvagem e, um poderoso impulso de destruição e autodestruição, resultante de egoísmos violentamente opostos, que explodem e batalham por sol e luz, incapazes de encontrar qualquer limitação, qualquer empecilho, qualquer consideração dentro da moralidade a seu dispor..., em tempo como esses o indivíduo ousa individualizar-se, de outro lado, ousado, ele precisa desesperadamente de um conjunto de leis próprias e de habilidades e astúcias necessárias à autopreservação, à autoimposição, à autoafirmação, à autolibertação”.
Se é verdade que tudo está impregnado de seu contrário, há de se pensar: Ao servir de freio aos excessos, que, por exemplo, a fascinação pelo poder permite, uma oposição responsável é uma benção. No Brasil, todavia, cooptada pelos favores que se lhes dão, parcela importante da sociedade civil tem, ao longo da história deste país, aceito o que lhe é posto sem discussão e nesse cenário, que retorno pode esperar, senão o que lhe é imposto? Uma oposição responsável no Brasil, de fato, tem se mostrado, mais que simplesmente enfraquecida, praticamente inexistente _ o episódio do mensalão, por exemplo, era para ter resultado em impeachment; não resultou - o procurador geral da República, em pessoa, denunciou os envolvidos no esquema, a partir do presidente... Ora, como reagir, nestas circunstâncias, senão com escolhas sem crítica?
Em recente manifesto ao povo brasileiro, disse Hélio Bicudo, um ícone da ideologia original do PT: “É inaceitável que órgãos de Estado se apresentem como extensão de partidos políticos; que a militância partidária converta órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros produtores de dossiês contra adversários políticos; que se esconda o governo que se vê num que não se vê, no qual, por conta de relações de compadrio e fisiologia, é negada à sociedade civil qualquer tipo de controle; que, na certeza da impunidade, os políticos deixem de se preocupar até em fingir honestidade; que um chefe de Estado, não se preocupando com a liturgia do cargo, não separe o homem de Estado do homem de partido e, assim, se ponha a aviltar adversários políticos com linguagem chula, numa manifestação explicita de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura; que estimule e financie a ação de grupos que se batem abertamente pela restrição à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político ou de seus interesses; que tente reescrever a história, desmerecendo o trabalho de brasileiros que ajudaram a construir as bases da estabilidade econômica e política do Brasil; que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do executivo; que o presidente da república lamente publicamente o fato de ter que se submeter às decisões do Poder Judiciário”.
Neste 31 de outubro, há de se erguer a voz dos brasileiros em defesa da Constituição. Neste 31 de outubro, há de o brasileiro contrapor situação e oposição. A política brasileira, afinal, merece ser exercida nos limites da ética e da dignidade!
O pior para o nosso país no governo Lula, foi não ter um "PT" azucrinando os maus do governo. Fez o que se quis, comprando o silencio dos que eram para ter voz e voto! Dia 31 há de falar alto!
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