quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Brasil em revolução

O Brasil colocou o pé no primeiro dia da segunda década do século XXI sob um novo governo federal, um parlamento renovado, novos governos estaduais e, principalmente, sob uma nova correlação de forças políticas. Vive o Brasil uma boa crise _ ameaças, sim, mas também um universo de oportunidades. Terá que superar deficiências importantes nas áreas da política, da gestão fiscal, da infra-estrutura, da educação, da saúde, da segurança, mas com plenas condições de chegar ao fim da década bem mais próximo do primeiro mundo do que, em qualquer tempo, já imaginou estar. A despeito dos bons fundamentos de sua economia, todavia, é preciso bem mais que simplesmente boas intenções para que o país deixe a 62ª posição que ocupa no ranking de infra-estrutura no mundo para chegar lá; o governo precisa acreditar que é possível tal intento e investir pesado nesta área, mas, mais ainda, precisa investir pesado em educação, saúde e segurança e encontrar na alma de seus partidos vontade política para realizar as reformas política e fiscal, há tempo empurradas com a barriga adiante por conta de interesses fisiológicos e apegos financeiros de Estados e Municípios.

Na população brasileira aumentaram proporcionalmente, em ralação a outras faixas etárias da população, o número de idosos e a expectativa de vida. É crescente o número de crianças e adolescentes, mas, proporcionalmente, a velocidade de seu crescimento é bem mais baixa do que já foi um dia. Continua fundamental a melhoria da educação formal para o propósito brasileiro de se tornar um país mais próspero, mais justo, mais eficiente, mais produtivo, porém, a nova conjuntura propõe um novo desafio: há que se reforçar instituições e instrumentos de re-treinamento da população economicamente ativa, que envelheceu. Salários dignos e planos de carreira são essenciais à valorização de professores e instrutores, quadros essenciais ao futuro do país, mas tal valorização passa necessariamente também pela estruturação de cursos de formação e pós-graduação de professores, pela avaliação de seus desempenhos e pela avaliação da proficiência de seus alunos. Os sistemas de avaliação devem tocar em todos os níveis, chegando à sala de aula. Os professores dever ser capazes de aferir diariamente o domínio de seus alunos sobre os conteúdos apresentados. Esta meta, fundamental para uma melhoria geral da capacitação intelectual dos brasileiros, é impossível de ser alcançada sem que se dote as escolas de todo o aparato operacional necessário ao cumprimento da missão _ as escolas devem ser responsabilizadas pelos seus resultados, bem como pelo resultado de seus alunos. Neste sentido, é alentador o Plano Nacional de Educação recém enviado ao Congresso Nacional para discussão.

No que diz respeito à saúde, não há dúvida que a assistência à população é, ainda, deficiente, mas o SUS continua sendo uma idéia genial; falta-lhe, é verdade, a garantia de financiamento, um choque positivo em sua gestão, uma nova perspectiva para o modelo de cuidado, uma construção equilibrada de parcerias com o setor privado e estímulos à inovação.

No que diz respeito à segurança, parece, não há mais dúvidas que a população de todos os municípios do país dará as mãos e a alma a aqueles que tiverem coragem de levar o estado a ocupar os espaços que ao estado pertence.

Esperam os brasileiros que seus novos representantes e os novos representantes do estado avaliem sob perspectivas lógicas todas estas questões.

Críticas radicais à parte, desde Itamar Franco vem o Brasil avançando. Neste país da biodiversidade e da diversidade cultural integradora, onde há lugar para todas as gentes e todos os cultos, acaso sejam honestas as perspectivas, ampliar-se-á, nos próximos anos, a colaboração de todas as tendências em todos os aspectos da vida nacional e, no que diz respeito à produção, além de um crescimento inevitável agregar-se-á valor aos produtos, gerando mais e melhores empregos e, mais, a despeito da valorização de sua moeda, aumentará enormemente as exportações. Por estas e outras razões, assumirá o Brasil, inevitavelmente, um importante papel na reforma geopolítica global, que se apresenta ao mundo!

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