quinta-feira, 26 de maio de 2011

Patrulhamento ideológico

O Relativismo tornou fluido o conceito de maioria. Minorias passaram a transitar em meio a maioria como se maioria fossem. Bom-senso ou senso comum? Copiando Goebbels minorias ativas passaram a utilizar artifícios psicológicos para impor comportamentos. O iluminismo do século XVIII devastou tradições e costumes; um iluminismo novo tem a pretensão de, libertando uma vez mais instintos e paixões, estabelecer o “politicamente correto”. Despertar de consciências? À luta por direitos não deveria contrapor-se o reconhecimento das limitações naturais que impõem os respectivos deveres? Consagrado pelo iluminismo, o conceito humanista de Montesquieu _ “Todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido” _ tornou-se expressão da vontade popular; todavia, esta manifestação da maioria é utilizada por uma minoria que, por puro oportunismo, aproveita-se de dissensões e tendências maniqueístas para consolidar ideologias.

Liberdade de expressão encontra-se assegurada explicitamente pela Constituição Federal! Entretanto, vítimas de patrulhamento ideológico (ensinamentos de Gramsci por base), a maioria abstém-se de se expressar de forma natural. Os brasileiros, por conta de uma orquestração de antinomias e idéias-força que agentes do comportamento padronizado rotulam como “politicamente corretas” vêm perdendo gradativamente a irreverência que sempre tiveram por característica.

Sapere aude. Veritas vos liberabit.

A fronteira entre o dogma e a intransigência é tênue. É perigosa a estratégia de defesa de idéias a partir do lançamento de maldições aos diferentes pensamentos. Dogmas aprisionam o espírito; originados das paixões e sobrepondo-se à racionalidade, aprisionam as verdades; comumente decorrentes do orgulho e da prepotência, tornam pequenos os que poderiam vislumbrar a grandeza; ouse saber, pois; a verdade o libertará.

Quem crê intransigentemente tem propensão para o radicalismo. O fundamentalismo, todavia, violenta a consciência moral e nulifica a racionalidade; "toda unanimidade é burra", dizia Nelson Rodrigues e é verdade!

A intransigência nas abordagens dos fatos, dos ditos, das máximas, é, comumente, contra-senso. Qualquer um que se considere dono da verdade e, por assim considerar-se, patrulha o pensamento dos outros, está a manifestar pura e simplesmente a sua própria vaidade. O contraditório é essencial ao conhecimento, à convivência, à vida. Perguntas são sempre mais importantes que respostas.

Obviamente, há idéias e razões. Inadmissível, entretanto, é quem se julgue, por corretas que sejam as suas idéias e razões, detentor de todas as verdades. Não haveria, afinal, espaço para a dúvida? Seria tal privilégio inacessível aos outros?

Postando-se ao mundo como pretensos sábios, sem, entretanto, imaginar a imensidão dos horizontes existenciais, a infinitude do universo, o fechamento do círculo do conhecimento, novos iluministas brasileiros batalham por unanimidade!

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Tio Baba,
    Belo artigo. Sendo a unanimidade burra,há de se pensar que a sabedoria resida na tênue linha entre o fundamentalismo, a consciência moral e a racionalidade,mas como voce mesmo cita, mal sabem os pretensos sábios que o verdadeiro saber é o não saber crítico, exatamente aquele não saber que questiona tanto o radicalismo quanto a inércia dos que se escondem sob a alcunha da vontade do povo. Viva a Maioria, viva a minoria, viva a dúvida!! Parabens!!

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