segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Projeto FX2

Não é de hoje que notícias coloridas, conforme é o Hermes da ocasião, vêm sendo veiculadas pelas mais diversas mídias, a respeito da licitação para a compra de aeronaves para reequipar os grupos de caça da FAB.

Hoje, 6 de dezembro de 2010, novamente o assunto está na pauta: Diz da preferência do comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro Juniti Saito, pelo F18 Super Hornet (informação cuja fonte é um despacho secreto da diplomacia americana); diz da preferência do governo brasileiro pelo Rafale, ressaltando, porém, que o presidente teria reclamado de seu par francês do preço posto pela aeronave (80 milhões de dólares cada um). A notícia veiculada ressalva que o par francês enviou uma carta pessoal ao presidente brasileiro enfatizando que a França está disposta a proceder, na área da tecnologia, uma transferência sem restrições de informações, que a França, pois, não estaria a vender uma aeronave, ou um sistema de armas, ao Brasil, mas a fazer uma parceria com o país para produzir aeronaves e tecnologia.

Ora, pergunte a qualquer piloto de caça que aeronave, entre as que concorrem para reequipar a Força Aérea, qual gostaria de voar e a resposta será, sem pestanejar, o F 18 Hornet (da Boing); todavia, se a pergunta for, das aeronaves selecionadas entre as que concorreram para reequipar a Força Aérea _ o Rafale, o Gripen e o Super-Hornet, qual é mais indicada em função das necessidades do país ele responderá que o Ministério da Defesa recebeu da FAB um parecer técnico pormenorizado indicando três (1º Gripen - sueco; 2º F18 Super Hornet - americano; 3º Rafale – francês) e que ao presidente da república, comandante em chefe das Forças Armadas do país, cabe, segundo critérios geopolíticos, fazer a escolha.

Entenda o Problema:

A licitação para o reequipamento da Força Aérea já ultrapassou o tempo de três governos. Ruim por um lado, bom por outro. Aprendeu-se muito durante o processo. Tecnicamente, o Rafale, da França, o F 18, dos EUA, o Gripen, sueco, se equivalem, assim manifestou-se a Força Aérea selecionando-os entre diversos outros equipamentos colocados à sua escolha e colocando-os a escolha de seu comandante em chefe. As aeronaves foram estudadas profundamente por engenheiros, aviadores e especialistas de diversas outras áreas da Força Aérea, que há anos debruçou-se sobre esta tarefa e há tempo emitiu parecer sobre quais aeronaves melhor atenderiam à sua missão constitucional. Na análise, foram levados em conta transferência de tecnologia, capacitação do pessoal; geração de empregos no país; possibilidade de abertura de novas indústrias; e, evidentemente, o custo (preço a ser pago) por tudo isto. O trabalho da Força Aérea foi exaustivo, sério, sem descurar da atividade fim. Pois bem, decorridos dois governos e entrando pelo terceiro _ dezesseis anos diante do parecer, o governo brasileiro ainda está por decidir. Que aeronave de caça vai comprar para re-equipar a Força Aérea Brasileira a partir de 2014?

A FAB ofereceu três alternativas selecionadas entre uma dúzia de propostas: Opção 1. Caça sueco JAS-39 Gripen NG, da Saab; opção 2. Caça americano F-18 Super Hornet, da Boeing, objeto de surpreendente proposta, em início de fevereiro deste ano, visando sua montagem pela Embraer; opção 3. Caça francês Rafale F3, da Dassault. Concorrentes descartados na primeira etapa da licitação ainda acreditam numa possível reavaliação: Caça europeu Eurofighter Tyfhoon e Sukhoi SU-35BM.

Todas as aeronaves aqui referidas possuem algumas características comuns, que as identificam como expoentes de uma mesma geração tecnológica, porém, ainda assim, bem distintas. Qualquer uma delas se equivalerem no que diz respeito ao atendimento à segurança do espaço aéreo nacional, todavia, segundo o parecer técnico da FAB, a escolha da presidência da República deve se restringir a apenas três, o avião Gripen como primeira opção _ as três aeronaves se equivalem em termos de emprego operacional quanto à adequabilidade; quanto à praticabilidade, todavia, o Gripen é mais adequado, dado a total transferência de tecnologia implícita no negócio, com efetiva participação do Brasil em todos os níveis do processo, enquanto as outras duas aeronaves se apresentam como apenas parcialmente praticáveis, face não assegurarem a total transferência de tecnologia, bem como não garantirem participação efetiva do pessoal brasileiro em todas as fases do processo; quanto à aceitabilidade, a melhor proposta é também a do Gripen, por ser a de mais baixo custo.

Que valor representa a aquisição? Entre US$ 4,5 bilhões e US$ 6,2 bilhões. Custo de manutenção _ entre US$ 1,5 bilhões e US$ 4 bilhões. Custo total _ Entre US$ 6 bilhões e US$ 10,2 bilhões. Independentemente do preço, entretanto, há de se compreender que em todo o mundo, o Brasil não é exceção, a aquisição de material bélico tem que obedecer, inicialmente, às necessidades estratégicas militares, seguidas de seus custos e benefícios econômicos para a nação, mas, por fim, aos seus interesses geopolíticos que, necessariamente, devem estar voltados à soberania do país.

A Força Aérea Brasileira é uma instituição de ponta, um dos orgulhos brasileiros. O ITA _ Instituto Tecnológico de Aeronáutica, um dos melhores centros de excelência de ensino e pesquisa do mundo, e a Embraer (hoje uma empresa privada), uma das cinco maiores empresas aeronáuticas do mundo, por exemplo, foram criados por força do espírito sonhador e empreendedor de sua oficialidade. A Força Aérea Brasileira, ainda, mantém e financia o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial _ DCTA, responsável pelo desenvolvimento de pesquisas de ponta aeroespacial encontradas apenas em alguns poucos países do planeta. A aviação de caça brasileira, pequena é verdade, de reduzidíssimo orçamento, é verdade, é considerada em todo o mundo uma ilha de excelência; seus oficiais, extremamente bem preparados, são capazes de fazer multiplicar o conhecimento adquirido rapidamente se necessário, já o provaram durante a II Grande Guerra. Organização de Estado, ofereceu opções ao governo. Qualquer que seja a escolhida, seja ela o Gripen, seja o Super Hornet, seja o Rafale, não há dúvida que ganhará o Brasil, enquanto ganhará, qualquer que seja a opção, a oportunidade de se tornar mais soberano e independente como nação e como potência. Percam, pois, os Hermes de ocasião, seus críticos. Percam os interesses inconfessáveis!

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